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	<title>Blog do Rafirus</title>
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	<description>Histórias, contos e relatos. Do mais belo romance ao mais intrigante suspense.</description>
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		<title>De tanto sonhar&#8230;</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Jan 2012 23:55:33 +0000</pubDate>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><em><a href="http://rafirus.files.wordpress.com/2012/01/night3.jpg"><img class=" wp-image alignleft" src="http://rafirus.files.wordpress.com/2012/01/night3.jpg?w=286&#038;h=395" alt="" width="286" height="395" /></a>&#8220;Passo meus pés por tua rua, e trago em minha mão um coração. Não &#8216;um&#8217;, aliás, mas &#8216;o&#8217;. O coração que pode te amar; que pode te fazer suspirar e se lembrar eternamente de detalhes que nem mesmo o cérebro mais atento poderia registrar. Esse coração, instrumento dos sentimentos divinos e sublimes, está, agora, muito bem guardado em um corpo. Esse corpo é, por escolha própria de seu dono, guiado pelo puríssimo, inconfundível e valioso sentimento do amor.</em></p>
<p><em>Se tiveres alguma dúvida de que é esse coração aqui que pode te fazer sentir amor, olhe para o céu noturno, e ali encontrarás tua resposta. Mas quando digo amor, não me refiro ao amor banal que é praticamente consumido pela grandessíssima parte dos iludidos. Quando digo amor, me refiro ao brilho que os olhos do amado emitem quando fitam seu par; refiro-me ao vermelho dos lábios após o beijo caloroso que, o casal sabe, só é perfeito porque acontece entre eles; refiro-me ao caminhar de mãos dadas que transmite segurança e união, seja lá onde estejam; refiro-me à saudade tão forte que se sobrepõe à sede e à fome; refiro-me à tranqüilidade e explosão de felicidade que flui no corpo dos dois, quando estão unidos.</em></p>
<p><em>Esse amor, caso queira saber, é a chave para lugares cheios de sensações e descobertas jamais imaginadas, os quais todos temos dentro de nós, mas que pouquíssimos conseguem acessar. Aquele que entra, jamais quer sair, pois encontra tudo o que todos sonham encontrar. Sabe o que tem ali? Ah&#8230; Para saber, é preciso ter a chave, e eu tive a chave o tempo todo. Mas aquilo que quem detém a chave precisa realmente saber é qual fechadura abrir.&#8221;</em></p>
<p>Autor: Rafael Mendes da Silva</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/rafirus.wordpress.com/258/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/rafirus.wordpress.com/258/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/rafirus.wordpress.com/258/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/rafirus.wordpress.com/258/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/rafirus.wordpress.com/258/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/rafirus.wordpress.com/258/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/rafirus.wordpress.com/258/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/rafirus.wordpress.com/258/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/rafirus.wordpress.com/258/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/rafirus.wordpress.com/258/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/rafirus.wordpress.com/258/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/rafirus.wordpress.com/258/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/rafirus.wordpress.com/258/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/rafirus.wordpress.com/258/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rafirus.wordpress.com&amp;blog=8615672&amp;post=258&amp;subd=rafirus&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Quem Sente, Sabe</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Aug 2011 22:26:26 +0000</pubDate>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://rafirus.files.wordpress.com/2011/08/sabee1.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-232" title="Sabe" src="http://rafirus.files.wordpress.com/2011/08/sabee1.jpg?w=225&#038;h=300" alt="" width="225" height="300" /></a>&#8220;Uma estrada leva até seus olhos; esses olhos que, bem abertos, me fitam com amor e sede, cheios de vontade. O flerte é longo, cheio de energia; parece mesmo que o abraço forte é iminente. E se teu corpo encontra o meu, o fim se consolida. Mas que fim? O fim de toda a angústia e de toda a saudade. Se sua saudade é grande, a minha não cabe dentro do meu enorme coração, que pulsa todos os dias para que sua memória continue viva dentro de mim. O ar que eu respiro pode ser o mesmo que passou como uma brisa pelo seu delicado pescoço, e isso traz a sensação de satisfação e deleite. Em inúmeros quadros pendurados em centenas de cantos da minha memória e do meu coração, ficam imagens de nós dois. Algumas são reais, e outras são apenas pinturas que minha mente fez questão de pintar durante o desespero causado pela falta do seu toque. Aqui e ali posso sentir o toque de seus cabelos, que carregam também o maravilhoso e hipnótico cheiro do seu perfume. <em>Que nome posso dar à sensação de ter você em meus braços durante as noites solitárias e frias? Ilusão? </em>Não, não pode ser ilusão, pois é real demais. Certamente o amor está presente nessas noites, mesmo na falta de um segundo coração pulsando junto ao meu, pois o amor não conhece fronteira alguma e é, por si só, onipresente.&#8221;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Autor: Rafael Mendes da Silva</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/rafirus.wordpress.com/225/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/rafirus.wordpress.com/225/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/rafirus.wordpress.com/225/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/rafirus.wordpress.com/225/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/rafirus.wordpress.com/225/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/rafirus.wordpress.com/225/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/rafirus.wordpress.com/225/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/rafirus.wordpress.com/225/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/rafirus.wordpress.com/225/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/rafirus.wordpress.com/225/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/rafirus.wordpress.com/225/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/rafirus.wordpress.com/225/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/rafirus.wordpress.com/225/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/rafirus.wordpress.com/225/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rafirus.wordpress.com&amp;blog=8615672&amp;post=225&amp;subd=rafirus&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Teus Olhos</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Aug 2011 04:59:20 +0000</pubDate>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://rafirus.files.wordpress.com/2011/08/eye2.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-221" title="Silence" src="http://rafirus.files.wordpress.com/2011/08/eye2.jpg?w=238&#038;h=300" alt="" width="238" height="300" /></a>“Os belos olhos que tens fazem do simples dia o mais belo e inigualável espetáculo. As cores que artista nenhum encontra em sua paleta dançam em tua íris. Maravilhado, eu não consigo emitir som algum, e apenas admiro. Admiro como se toda a vida fosse feita para isso. Tudo pára, até mesmo a Lua. Esta última chega mais perto da Terra: quer ver o que se passa nestes teus olhos. E então se avivam as flores dos campos; os mares se agitam e dançam; os ares mudam e carregam aromas diferentes, embalam a mim e a ti, que trocamos este olhar apaixonado e carregado de um sentimento que o ser humano ainda há de se esforçar muito para chegar perto de explicar, pois não é possível descrevê-lo com palavras. Sei disso porque ele – o amor – consegue sozinho unir mente, coração e alma. Nesse pequeno e infinito momento, cuja duração não posso precisar em minutos ou horas, choro. As lágrimas que escorrem pelo meu rosto estão carregadas daquele sentimento que mencionei agora há pouco. Como seria não poder me lembrar destes teus olhos enquanto estou longe de ti? Como seria não se lembrar do brilho; da cor dele quando ouço uma bela música que me toca o coração? E como seria não saber, dentro de mim, que é este teu lindo olhar jovem, vívido e sereno que me encara durante a noite, quando a Lua vem? São teus olhos; o frio; a Lua; o doce aroma; o delicioso sabor; a forte cor; o suave toque; a delicada carícia; o quente aconchego; a perfeita atenção; as palavras corretas; o amanhecer não anunciado. É a isso tudo que chamo “vida”. Vida é ter você em minha mente, para que meu coração possa se acelerar, pulsando vigorosamente sobre minha alma, tornando-a parte de tudo o que é sublime.”</p>
<p><em>Autor: Rafael Mendes da Silva</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/rafirus.wordpress.com/216/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/rafirus.wordpress.com/216/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/rafirus.wordpress.com/216/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/rafirus.wordpress.com/216/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/rafirus.wordpress.com/216/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/rafirus.wordpress.com/216/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/rafirus.wordpress.com/216/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/rafirus.wordpress.com/216/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/rafirus.wordpress.com/216/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/rafirus.wordpress.com/216/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/rafirus.wordpress.com/216/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/rafirus.wordpress.com/216/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/rafirus.wordpress.com/216/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/rafirus.wordpress.com/216/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rafirus.wordpress.com&amp;blog=8615672&amp;post=216&amp;subd=rafirus&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A Saudade</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Jul 2011 22:01:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rafirus</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://rafirus.files.wordpress.com/2011/07/night_flowe_by_wilhelmine.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-205" title="Night Flower" src="http://rafirus.files.wordpress.com/2011/07/night_flowe_by_wilhelmine.jpg?w=300&#038;h=267" alt="" width="300" height="267" /></a>Até o ar que ele respira é diferente.</p>
<p>Essa tênue sensação parece se desenvolver e se amarrar ao coração, fazendo-o pulsar mais fortemente. Ele está em outro lugar, e está deitado no chão. Está em algum lugar longe daquele que ele chama de lar. Mas isso, de forma alguma o deixa apreensivo. Pelo contrário, o faz se sentir bem e curioso. Com a mão esquerda, toca o chão: terra.</p>
<p>Abriu os olhos, e quando o fez, sentiu um pouco de dor por causa da luminosidade. Parecia ter ficado um longo período de tempo com os olhos fechados. As pupilas, antes dilatadas, se contraíram desesperadamente. Fez uma careta típica de quem recebe um facho forte de luz nos olhos, e levou uma das mãos ao rosto.</p>
<p>“Onde estou?”, foi a primeira pergunta que lhe ocorreu.</p>
<p>“O que é tudo isso?”, foi a segunda.</p>
<p>Sentou-se.</p>
<p>Sentado, com a visão ainda embaçada e rapidamente se restabelecendo, percebeu uma fortíssima cor vermelha a alguns palmos de seu rosto. Levou as mãos à fonte das cores e sentiu algo com uma textura extremamente suave, macia; um deleite. Eram rosas, muitas delas. Levantou-se.</p>
<p>Para a sua surpresa e para a surpresa de cada parte de seu corpo, que se arrepiou inteiro, havia não só um mar de rosas à sua frente, mas também, postas em fileiras quilométricas ao longo da planície, lírios, margaridas, girassóis, tulipas e dezenas de outros tipos de flores.</p>
<p>As cores eram tão fortes e inspiradoras, tão majestosas e poderosas, que teve a sensação de ser atravessado por elas. Era como se pudesse sentir tudo dentro dele tomando as cores das flores. O sangue corria mais rápido pelo corpo, fluía por cada pequena parte de seu organismo, e ele se sentiu <strong>vivo</strong>.</p>
<p>O <strong>vigor</strong> é, agora, companheiro do rapaz que admira as milhares de flores.</p>
<p>Respirando fundo e dando lugar para um enorme sorriso em seu rosto, o rapaz adentra o campo de flores. O estreito espaço entre uma espécie de flores e outra é o seu caminho. À sua direita, as rosas. À sua esquerda, as tulipas. Não parava de olhar para tudo aquilo sequer um segundo. O azul claríssimo do céu se chocava com o exército de cores que avançava à sua frente, e formava um inefável espetáculo ao qual invenção alguma do ser humano pode se igualar.</p>
<p>Pegou-se boquiaberto, ainda esboçando um sorriso, encantado com tudo aquilo.</p>
<p>Vez ou outra ele tocava nas flores e sentia uma doce energia.</p>
<p>O Sol se intensificava. O vento corria tranquilamente pela planície, fazendo com que os cabelos de uma pessoa que eventualmente passasse por algum campo florido dançassem em sincronia com as flores.</p>
<p>Nessas horas, os olhos se fecham. Abre-se mão de um sentido para que outros possam ser intensificados.</p>
<p>Talvez essa fosse a parte em que algum sentimento se encaixasse em seu coração, por um lado, e em sua alma, por outro, unindo os dois e se perpetuando, mesmo que essa eternidade não seja, realmente, eterna. É algo tão bom quanto ruim. Tão gostoso quando desagradável. Algo que vem quando falta outra coisa. Algo assim como a <strong>saudade</strong>.</p>
<p>Que sentimento interessante é a saudade&#8230;</p>
<p>Ela preenche com o vazio; cresce com a carência; se desenvolve com a distância. É boa, mas é ruim. Ao mesmo tempo em que conforta, por nos fazer lembrar de alguém, nos mata, por evidenciar aquilo que o coração de quem a sente não pode negar: você está distante de quem gostaria de estar perto. Quem já sentiu, sabe.</p>
<p>Ainda sentindo o vento no rosto, ainda de olhos fechados, o rapaz pensa além.</p>
<p>Se o sentimento de saudade é algo curioso, como se pode classificar a saudade de algo do qual você nunca esteve perto; de algo que nunca tocou; de algo que nunca viu com os próprios olhos? Pior ainda: como “sanar” essa saudade?</p>
<p>E pensar nisso foi o que o fez abrir os olhos e presenciar algo tão curioso quanto a saudade: Em um piscar de olhos o Sol se pôs e cedeu lugar à noite, à Lua e às constelações.</p>
<p>De onde estava, tinha uma amplíssima visão do céu. Deitou-se em meio às flores e seu silêncio. A solidão ali, sabia ele, limitava-se apenas ao campo físico do entendimento, pois em mente, coração e alma, ele estava mais do que bem acompanhado, e seus olhos refletiam isso: Seus olhos estavam diretamente direcionados à Lua, o belíssimo e lívido satélite natural do qual todos dispomos.</p>
<p>Levantou a mão direita em direção a ela, como se chamasse alguém para dançar. Sentiu outra mão tomando a sua e, de pé, começou a dançar.</p>
<p>Aquele que observasse apenas com a visão corriqueira da qual dispomos, veria um rapaz dançando sozinho em meio às flores, <em>mas todas as flores sentiam a segunda presença naquela noite, </em>e a Lua, lá em cima, os observava com olhos que não eram seus, mas sim daquela fonte de inspiração que habitava os sonhos do rapaz.</p>
<p>Autor: Rafael Mendes da Silva</p>
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			<media:title type="html">Night Flower</media:title>
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	</item>
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		<title>Um Devaneio</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Jun 2011 21:21:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rafirus</dc:creator>
				<category><![CDATA[2011]]></category>
		<category><![CDATA[romance]]></category>
		<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Anjo]]></category>
		<category><![CDATA[Devaneio]]></category>
		<category><![CDATA[juntos]]></category>
		<category><![CDATA[Lua]]></category>
		<category><![CDATA[noite]]></category>
		<category><![CDATA[Sacada]]></category>

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		<description><![CDATA[Se vamos escolher alguma coisa para descrever, que escolhamos algo belo. Mas vamos por outro caminho; vamos pelo caminho menos percorrido. É fácil percorrer as minúcias e os detalhes naquele belíssimo rosto de menina-mulher. Bata o olho uma única vez, mas o faça com atenção e repare no milagre divino que encaras. Antes disso, respire [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rafirus.wordpress.com&amp;blog=8615672&amp;post=197&amp;subd=rafirus&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://rafirus.files.wordpress.com/2011/06/tumblr_ll9od65sez1qbqsgxo1_500_large.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-198" title="Hands" src="http://rafirus.files.wordpress.com/2011/06/tumblr_ll9od65sez1qbqsgxo1_500_large.jpg?w=300&#038;h=202" alt="" width="300" height="202" /></a>Se vamos escolher alguma coisa para descrever, que escolhamos algo belo. Mas vamos por outro caminho; vamos pelo caminho menos percorrido.</p>
<p>É fácil percorrer as minúcias e os detalhes naquele belíssimo rosto de menina-mulher. Bata o olho uma única vez, mas o faça com atenção e repare no milagre divino que encaras.</p>
<p>Antes disso, respire fundo; respire esse ar gélido do inverno e sinta a brisa no rosto. Para quê? – tu me perguntas. Bem, eu lhe respondo: É para que deixes fluir a tua inspiração neste momento. Ah, meu caro&#8230; Este é o momento em que o coração acelera de forma inigualável; esse é o momento em que tudo converge para que a perfeição domine a situação.</p>
<p>Não estou sendo claro? Vou tornar tudo mais claro.</p>
<p>~</p>
<p><em>No quarto mais luxuoso do maior e mais caro hotel da parte mais nobre da cidade, duas pessoas sorriem. O tempo flui em marcha lenta, suave, como se uma aura envolvesse o ambiente e tornasse tudo tão tranqüilo que nenhum problema jamais pudesse existir ali.</em></p>
<p><em>De fato, problema parecia ser uma palavra desconhecida para aqueles dois. Pelo contrário, eles agora celebravam o sucesso, o êxito. </em></p>
<p><em>Aquele lindo vestido caia muito bem <strong>nela. </strong>Um vestido negro que ia até um pouco abaixo dos joelhos, deixando apenas um pouco das lindas pernas à mostra. Um modesto bracelete no braço direito, discretos brincos Chandelier e um batom que quase não se deixava perceber. Sorria como uma deusa e o hipnotizava com o lindo sorriso. Os longos cabelos caiam sobre os ombros e acentuavam a suave maquiagem nos belíssimos olhos de anjo. A pele nem entrava em questão: toque de seda.</em></p>
<p><em></em></p>
<p><em>Mas o que <strong>ela</strong> tinha que tanto chamava a atenção <strong>dele</strong>? Sorriu.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Tirou o paletó e o deixou sobre uma poltrona. Afrouxou o nó da gravata e se dirigiu ao frigobar. Pegou uma água. Ah, a deliciosa sensação de matar a sede. Estar naquele lugar o fez se lembrar de sua infância e de todo o caminho que percorrera até, enfim, poder estar ali.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Virou-se para deixar aquele pensamento para depois e se deparar com uma das mais belas cenas que presenciaria em toda a sua vida; a cena da qual nunca se esqueceria, e com a qual conviveria até o último sopro de vento de seus pulmões.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Lá estava ela, na sacada do apartamento, cabelos dançando ao vento frio, encarando a belíssima Lua cheia que vem agraciar os corações dos apaixonados com sua imagem.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Queria ter dons de pintor para poder eternizar aquela imagem em outro lugar além da sua mente, coração e alma.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Estático, sentiu o corpo inteiro arrepiar, de cima a baixo.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Lentamente caminhou até ela. Foi um caminhar tão suave que ela nem pôde ouvir seus passos. </em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>A sacada tinha suas luzes apagadas, e era bem ampla. Tinha uma linda visão da cidade e de todas as suas luzes.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Já na sacada e ainda fora do raio de visão do belíssimo <strong>anjo</strong> que ali se encontrava, olhou para cima, mandou seus clássicos quatro beijos para o céu e depois encarou a Lua. Caminhou até ela e a abraçou suavemente, acolhendo-a. Percebeu que a respiração dela mudara. Parecia ter ficado mais calma e ao mesmo tempo mais forte.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>- Fazes a escuridão desaparecer. Encontro-me quando estou próximo a ti. Sei exatamente onde estou quando tu estás aqui. – Disse <strong>ele</strong>.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>- Você é a única estrada que eu conheço. Você me mostra aonde ir.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>- Sempre o farei.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>- Sempre?</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>- Sempre.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Os dedos das mãos dos dois se entrelaçaram. </em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>O inverno não tem efeito negativo sobre um casal regido pelo amor, e o calor dos dois anulou qualquer frio de 11º que pudesse dominar a cidade naquele momento.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>- Isso daria uma bela história. – Disse ela.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>- Realmente – disse ele – realmente&#8230;</em></p>
<p><em></em></p>
<p><em>Autor: Rafael Mendes da Silva</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/rafirus.wordpress.com/197/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/rafirus.wordpress.com/197/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/rafirus.wordpress.com/197/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/rafirus.wordpress.com/197/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/rafirus.wordpress.com/197/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/rafirus.wordpress.com/197/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/rafirus.wordpress.com/197/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/rafirus.wordpress.com/197/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/rafirus.wordpress.com/197/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/rafirus.wordpress.com/197/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/rafirus.wordpress.com/197/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/rafirus.wordpress.com/197/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/rafirus.wordpress.com/197/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/rafirus.wordpress.com/197/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rafirus.wordpress.com&amp;blog=8615672&amp;post=197&amp;subd=rafirus&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Hands</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>Every Second, Every Minute, Every Hour, Every Day.</title>
		<link>http://rafirus.wordpress.com/2011/03/28/outro-sonho/</link>
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		<pubDate>Mon, 28 Mar 2011 17:58:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rafirus</dc:creator>
				<category><![CDATA[romance]]></category>

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		<description><![CDATA[Sonhar é uma bênção. Às vezes tenho sonhos surreais, que nunca imaginaria quando acordado. Esses sonhos são interessantes, devo confessar. Passo alguns deles para o papel, para registrar. Mas um sonho precisa chamar bastante a minha atenção para me fazer transcrevê-lo de outra forma que não a de um simples documento. Os que me chamam a atenção são [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rafirus.wordpress.com&amp;blog=8615672&amp;post=191&amp;subd=rafirus&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><a href="http://rafirus.files.wordpress.com/2011/03/3379422509_9644243166.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-192" title="3379422509_9644243166" src="http://rafirus.files.wordpress.com/2011/03/3379422509_9644243166.jpg?w=300&#038;h=300" alt="" width="300" height="300" /></a>Sonhar é uma bênção. Às vezes tenho sonhos surreais, que nunca imaginaria quando acordado. Esses sonhos são interessantes, devo confessar. Passo alguns deles para o papel, para registrar. Mas um sonho precisa chamar bastante a minha atenção para me fazer transcrevê-lo de outra forma que não a de um simples documento. Os que me chamam a atenção são escritos de maneira especial, como o que segue.</span></span></p>
<p><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"> </span></span></p>
<p><strong><em><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">~</span></span></em></strong></p>
<p><strong><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"> </span></span></strong></p>
<p><span style="font-size:small;"> </span><em><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">A Lua surgiu no céu.</span></span></em></p>
<p><em><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">A luz da Lua era forte, atravessava as paredes, pintava os lençóis e as roupas das pessoas; pintava tudo com aquela luz perolada e forte que só ela tem.</span></span></em></p>
<p><em><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Ele desceu as escadas correndo, o coração batia com pressa. A respiração ofegante e os passos estalando nos degraus eram os únicos sons por ali. Tudo estava escuro e ao mesmo tempo brilhante, graças à luz da Lua, e, por isso, suas pupilas oscilavam de um dilatado completo para o contraído desesperado.</span></span></em></p>
<p><em><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Chegando ao térreo, abriu a porta com um chute. O barulho ecoou pelas escadarias e pelas redondezas como um tiro.</span></span></em></p>
<p><em><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Lá fora, um carro parado, motor desligado, janelas embaçadas. A passos largos caminhou até ele e abriu sua porta. </span></span></em></p>
<p><em><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Ela não estava lá dentro. Levou as mãos à cabeça. “Onde ela está?”</span></span></em></p>
<p><em><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Olhou ao seu redor. Tudo o que havia ali era ele, o carro e o prédio cujas escadas ele havia acabado de descer. O resto era um campo aberto, de um verde discreto e iluminado pela luz forte e densa da Lua.</span></span></em></p>
<p><em><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Pensou, pensou&#8230;</span></span></em></p>
<p><em><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Colocou a mão dentro do peito – sim, dentro – para ver se seu coração estava ali. Não, não estava.</span></span></em></p>
<p><em><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Respirou, aliviado e ao mesmo tempo pensativo. “Está com ela, tenho certeza&#8230; Mas&#8230; Onde ela está?”</span></span></em></p>
<p><em><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Onde ela está. Era isso que queria saber. Mesmo em uma situação ímpar como essa, quando havia sentido seu coração bater freneticamente momentos atrás, e agora havia colocado a mão dentro do próprio peito e sentido que, na verdade, seu coração não estava ali, ele manteve a calma e focou em seu objetivo: estar perto dela para que pudesse sentir aquele calor novamente. Aquele calor específico, que se sente no peito.</span></span></em></p>
<p><em><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Mas por enquanto, não havia calor. Havia apenas frio&#8230; Aquele frio na barriga que sentimos quando queremos alguém e sabemos que estamos prestes a encontrá-lo.</span></span></em></p>
<p><em><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">O frio na barriga foi seu combustível para olhar para a direita e começar a correr.</span></span></em></p>
<p><em><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Correu. Mas correu com tanta vontade que sentiu asas nos pés, e já nem parecia movimentar as pernas, apenas locomovia-se em velocidade altíssima.</span></span></em></p>
<p><em><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Transcendeu.</span></span></em></p>
<p><em><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Quando se deu conta, estava de frente para uma enorme colina, onde havia uma árvore cheia de maçãs bem vermelhas e enormes. Embaixo da árvore uma menina observava o horizonte. Usava um vestido também vermelho, com bordas que pareciam brilhar como a Lua. Os cabelos balançavam ao vento, e seu perfume era tão cheiroso, tão marcante, que saia dela como uma suave nuvem colorida. O vento carregava pequenas gotas da chuva que caia. Mas a chuva era tão sutil, que quase nem se podia senti-la.</span></span></em></p>
<p><em><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Caminhou até o topo da colina com o sentimento de estar chegando em casa; aquele sentimento que nos invade quando obtemos êxito e podemos descansar, sorrir, amar.</span></span></em></p>
<p><em><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"> </span></em></p>
<p><em><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Ela estava de costas.</span></span></em></p>
<p><em><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"> </span></em></p>
<p><em><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Sentiu seu perfume e, logo em seguida, fechou os olhos. Sentiu a alma abrir os braços, esticar-se, sorrir. Sorriu com sua alma.</span></span></em></p>
<p><em><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"> </span></em></p>
<p><em><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Tocou o braço da menina da colina. O nome dela ele sabia, mas não chamou.</span></span></em></p>
<p><em><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Ela se virou para ele, olhando-o direto nos olhos. Sentiu que a luz dos olhos dela era ainda mais forte do que a da Lua, com o perdão da mesma. Que lindos olhos, magníficos, eram aqueles? O que eles tinham que conseguiam com tanto êxito ter a atenção completa de um homem, fazendo-o esquecer-se dos seus arredores, largando tudo para abraçar o sentimento que crescia dentro dele?</span></span></em></p>
<p><em><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"> </span></em></p>
<p><em><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Pois bem, não foram precisas palavras. Aquela pequena – e ao mesmo tempo eterna – troca de olhares foi o diálogo de que precisavam, pois é isso o que os olhos fazem: eles nos contam o que nem mesmo palavras, arrepios e toques contam.</span></span></em></p>
<p><em><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"> </span></em></p>
<p><em><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Quando ele tomou em suas mãos as dela, a ínfima chuva que caía, cessou. O que saia dos céus e tocava o chão, se inverteu. Agora, era do chão que flores nasciam, e cresciam tão rápido, que alcançavam o céu. “Que lindo espetáculo para se admirar”, ele pensou. “Mas não teria metade de sua beleza se eu não a tivesse aqui; se eu não pudesse segurar em suas mãos; se eu não pudesse ver meu próprio reflexo nesses olhos lindos.” </span></span></em></p>
<p><em><span style="font-size:small;"></span></em></p>
<p><em><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Autor: Rafael Mendes da Silva</span></span></em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/rafirus.wordpress.com/191/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/rafirus.wordpress.com/191/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/rafirus.wordpress.com/191/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/rafirus.wordpress.com/191/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/rafirus.wordpress.com/191/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/rafirus.wordpress.com/191/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/rafirus.wordpress.com/191/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/rafirus.wordpress.com/191/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/rafirus.wordpress.com/191/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/rafirus.wordpress.com/191/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/rafirus.wordpress.com/191/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/rafirus.wordpress.com/191/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/rafirus.wordpress.com/191/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/rafirus.wordpress.com/191/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rafirus.wordpress.com&amp;blog=8615672&amp;post=191&amp;subd=rafirus&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title>Em Uma Noite [Martino]</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Jan 2011 20:03:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rafirus</dc:creator>
				<category><![CDATA[Martino]]></category>
		<category><![CDATA[dois]]></category>
		<category><![CDATA[faísca]]></category>
		<category><![CDATA[Luz]]></category>
		<category><![CDATA[rede]]></category>
		<category><![CDATA[sorriso]]></category>

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		<description><![CDATA[Sentado, rodeado por chuva forte, em meio à noite, e iluminado por uma fogueira cheia de espetáculos discretos, fortes, imponentes e apaixonantes, Martino tocou a ponta da caneta no papel, e a mágica de criar histórias começou. - Música. Música para todos nós. Música para Martino e seu texto. Essa música, porém, é algo da [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rafirus.wordpress.com&amp;blog=8615672&amp;post=183&amp;subd=rafirus&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><em><a href="http://rafirus.files.wordpress.com/2011/01/387985135_ef6613e4ab.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-187" title="'Alone at night, I feel so strange. I need to find, all the answers to my dreams.'" src="http://rafirus.files.wordpress.com/2011/01/387985135_ef6613e4ab.jpg?w=500" alt=""   /></a>Sentado, rodeado por chuva forte, em meio à noite, e iluminado por uma fogueira cheia de espetáculos discretos, fortes, imponentes e apaixonantes, Martino tocou a ponta da caneta no papel, e a mágica de criar histórias começou.</em></p>
<p>-</p>
<p>Música. Música para todos nós. Música para Martino e seu texto.</p>
<p>Essa música, porém, é algo da cabeça de Martino. Não há som ali senão o da chuva e do vento; o som do silêncio da noite.</p>
<p>Ele tem uma trilha sonora maravilhosa em sua cabeça, nesse momento. Ah&#8230; um dia para recordar&#8230;</p>
<p>São muitas as fontes que o inspiraram nesse. Foram palavras, sons, músicas, melodias, momentos, relatos, desabafos.</p>
<p>Levantou-se.</p>
<p>Olhou para o texto.</p>
<p>Era, de certo modo, uma história sobre os dois lados de alguma carta: o lado de quem tem tudo, e o lado de quem não tem.</p>
<p>Chegou ao ouvido de Martino, talvez durante algum devaneio, que amar é como correr sobre terreno acidentado empunhando uma faca. Enquanto conseguimos nos manter em pé, nos sentimos bem, capazes de manter a situação sobre controle. Mas quando caímos&#8230;</p>
<p>Martino encostou-se em pé na pedra, e começou a ler para a noite o que sua alma contou ao papel.</p>
<p><em>~&gt;</em></p>
<p><em>Havia uma rede e duas pessoas, e isso era tudo. A única coisa que importava além disso, era o céu. E nele, apenas a Lua e uma estrela bem brilhante dividiam a atenção dos dois na rede.</em></p>
<p><em>Durante o momento de fascinio provocado pelo brilho excessivo da tal estrela, ela diz:</em></p>
<p><em>- É um planeta.</em></p>
<p><em>E de fato, era.</em></p>
<p><em>Ambos deitaram-se à rede. O suave balanço criava uma suave brisa.</em></p>
<p><em>E se pararmos para olhar a situação de fora, veremos que o céu é deles. Só deles.</em></p>
<p><em>As mãos acariciavam-se, os olhares se encontravam, os lábios se tocavam.</em></p>
<p><em>Dentro do peito dele, o lugar frio e empoeirado que era seu coração, começava a ficar quente; uma faísca começava a piscar. Luz e calor retornavam ao lugar de onde não deveriam sair. Isso tudo é vida pura, nua e crua, tendo seu ápice.</em></p>
<p><em>As duas pessoas sorriem mutuamente, pois têm, mesmo que pequena e discreta, uma conexão.</em></p>
<p><em>E essa conexão veio como o destino quis, não é?</em></p>
<p><em>Pois bem, o olhar e o toque faziam o céu brilhar.</em></p>
<p><em>&#8220;Era como eu pensava. Ela, esse momento, tudo isso. Justo como eu imaginava.&#8221; Pensou o garoto, com um sorriso interno, dando mais força ao externo. Tudo dentro dele percorria o caminho para algo similar a uma reanimação.</em></p>
<p><em>E quanto a ela? E quanto a <span style="text-decoration:underline;">ela</span>?</em></p>
<p><em>Seu sorriso não mentia. Suas palavras, muito menos. Seu olhar, nem se fala. Que lindo anjo ela era.</em></p>
<p><em>O cabelo, os olhos, os lábios&#8230; Queria encarar aqueles olhos até conhecê-la por completo; e queria constantemente beijar aquela boca.</em></p>
<p><em>É, ela era uma mulher, e como tal, tinha seus segredos por trás do rosto de olhar suave, sedutor, e da pele angelical.</em></p>
<p><em>E ele? E quanto a <span style="text-decoration:underline;">ele</span>?</em></p>
<p><em>Ele adorava seus charmes, e principalmente as palavras proferidas por ela.</em></p>
<p><em>Ele se segurou e confiou nas palavras que ouviu e havia lido.</em></p>
<p><em>Ela disse:</em></p>
<p><em>- Destino.</em></p>
<p><em>E continuou:</em></p>
<p><em>- Foi o destino que te colocou na minha frente.</em></p>
<p><em>Explicou os motivos. Motivos esses que foram completamente convincentes.</em></p>
<p><em>Sim, ele acreditou em tudo o que ela disse; ele abraçou cada palavra que saiu por aquela linda e delicada boca como verdade.</em></p>
<p><em>Aproveitou para pensar em como é impressionante a mágica de transformar um lugar frio e vazio em um lugar feliz; em um lugar bonito e repleto de vida.</em></p>
<p><em>Passou o braço por trás da cabeça dela, puxou-a para si. Deu-na um longo beijo. Como estava gostando de estar ali! Ninguém sabia melhor do que ele.</em></p>
<p><em>Ela sorria para ele, e isso trazia uma conclusão:</em></p>
<p><em>Quando havia um sorriso no rosto à sua frente, e <span style="text-decoration:underline;">ele</span> era o &#8220;culpado&#8221; por aquele sorriso, a chama queimava muito mais forte, trazendo assim a luz de seu próprio sorriso.</em></p>
<p><em>Amava isso.</em></p>
<p><em>Mas até que ponto um sorriso pode segurar o fogo?</em></p>
<p><em>Talvez ele descobrisse isso cedo ou tarde.</em></p>
<p><em>&#8220;Ela já tem outra pessoa.&#8221; Isso ecoou na noite. Mas quem disse isso?</em></p>
<p><em>Ele olhou para ela, e o olhar dela já era outro.</em></p>
<p><em>Além disso, não era mais noite: a manhã veio abençoar o mundo. </em></p>
<p><em>Infelizmente, esse amanhecer não trazia felicidade a ele.</em></p>
<p><em>O olhar da menina literalmente dizia: &#8220;Eu gosto de você, mas já pertenço a outra pessoa.&#8221;</em></p>
<p><em>&#8220;Mas você ainda gosta dessa pessoa?&#8221; O olhar do rapaz &#8216;perguntou&#8217;.</em></p>
<p><em>&#8220;Ainda sinto carinho por ela, sim.&#8221;</em></p>
<p><em>Os olhares continuaram conversando.</em></p>
<p><em>Ele deitou no colo dela, e ela acariciou seu cabelo.</em></p>
<p><em>Conversaram durante longo tempo, e as palavras que se seguiram contaram-no todo o passado, todas as lembranças, tristezas e felicidades dela.</em></p>
<p><em>Apesar de estarem bem juntos ali, aquele momento final pareceu como o término de algo que estava apenas começando a florescer.</em></p>
<p><em>Não era o que ele queria.</em></p>
<p><em>É sempre pior quando temos que cuidar do coração quando alguma chama é apagada precocemente. </em></p>
<p><em>Dói mais. É o que se sente.</em></p>
<p><em>Apesar de triste, ele aceitou. Mesmo sabendo que estava abrindo a mão e deixando o vento levar como leva grãos de areia algo que lhe acendia o peito.</em></p>
<p><em>Acontece que essa chama já pertence a alguém.</em></p>
<p><em>É sempre ruim ser o segundo, mesmo que por um segundo.</em></p>
<p><em>~</em></p>
<p>Ao terminar de ler, Martino teve uma longa conversa com a chuva e com a noite.</p>
<p>- Não sei&#8230; Esse texto foi algo parecido com uma faísca; algo que mal nasce e já morre. Apesar de triste, é feliz. Acabou, mas aconteceu. É interessante pensar sobre isso. O rapaz da história deve saber lidar com sentimentos. Aparentemente, já tem suas cicatrizes.</p>
<p>Autor: Rafael Mendes da Silva</p>
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			<media:title type="html">&#039;Alone at night, I feel so strange. I need to find, all the answers to my dreams.&#039;</media:title>
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	</item>
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		<title>O Espetáculo no Fogo [Martino]</title>
		<link>http://rafirus.wordpress.com/2011/01/19/o-espetaculo-do-fogo-martino/</link>
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		<pubDate>Wed, 19 Jan 2011 16:02:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rafirus</dc:creator>
				<category><![CDATA[Martino]]></category>
		<category><![CDATA[chuva]]></category>
		<category><![CDATA[escrever]]></category>
		<category><![CDATA[fogo]]></category>
		<category><![CDATA[fogueira]]></category>
		<category><![CDATA[Só]]></category>
		<category><![CDATA[sozinho]]></category>

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		<description><![CDATA[ A porta já estava na metade do caminho. - Adeus, Martino! Cuide dos três, tenha fé! Eu acredito em você! - Adeus! Muito obrigado por tudo! – respondeu Martino. Antes da porta fechar, Martino lembrou e perguntou: - Ah! Qual é o seu nome? A resposta do senhor foi constituida por quatro palavras e um sorriso: [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rafirus.wordpress.com&amp;blog=8615672&amp;post=170&amp;subd=rafirus&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><em> A porta já estava na metade do caminho.</em></p>
<p style="text-align:center;"><em>- Adeus, Martino! Cuide dos três, tenha fé! Eu acredito em você!</em></p>
<p style="text-align:center;"><em>- Adeus! Muito obrigado por tudo! – respondeu Martino.</em></p>
<p style="text-align:center;"><em>Antes da porta fechar, Martino lembrou e perguntou:</em></p>
<p style="text-align:center;"><em>- Ah! Qual é o seu nome?</em></p>
<p style="text-align:center;"><em>A resposta do senhor foi constituida por quatro palavras e um sorriso:</em></p>
<p style="text-align:center;"><em>- Meu nome é Martino.</em></p>
<p style="text-align:center;"><em>A porta se fechou.</em></p>
<p><a href="http://rafirus.files.wordpress.com/2011/01/fogo1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-172" title="Fire" src="http://rafirus.files.wordpress.com/2011/01/fogo1.jpg?w=500&#038;h=279" alt="" width="500" height="279" /></a><em>Ao ouvir aquelas quatro palavras, Martino havia entrado em choque. Havia sentido aquele súbito frio que parece subir e descer pelo corpo, deixando-nos paralisados e com a pele sem cor.</em></p>
<p><em>Como assim, “Meu nome é Martino”? Até onde sua sanidade permitia fazê-lo raciocinar, <span style="text-decoration:underline;">ele</span> era o Martino.</em></p>
<p><em>Sob a chuva fortíssima, seu corpo permaneceu milagrosamente seco. O fino manto de seda dourada impressionantemente o protegia dos grossos pingos de chuva que caíam como bala do céu. O manto dispunha ainda de um capuz que cobria sua cabeça. Dessa maneira, ele permanecia completamente coberto.</em></p>
<p><em>Obedecendo ao seu ímpeto, havia corrido para a porta e tentado abri-la novamente com a chave. Queria conversar com aquele senhor, saber mais sobre ele e, principalmente, esclarecer aquela história. </em></p>
<p><em>Como o próprio senhor havia dito, Martino não conseguiria abrir a porta. Não agora.</em></p>
<p><em>Martino mal sabia o que estava sentindo. Era um misto de dúvida, curiosidade, angústia, ansiedade e coragem.</em></p>
<p><em>Havia olhado para trás e novamente encarado a escuridão total. Pelo menos não estava encharcado; pelo menos não iria ficar molhado. Essa fé o protegia.</em></p>
<p><em>~</em></p>
<p>Em poucas horas de caminhada, Martino já havia avançado uma distância consideravelmente extensa. Seus olhos já haviam se acostumado com a escuridão &#8211; pupilas completamente dilatadas. Os sentidos se apuravam no (suposto) ermo. Estava (supostamente) sozinho. Apesar de não sentir medo (Non abbiate paura!), Martino não abria lugar para a negligência. Prudência e atenção a todo o momento eram mais do que obrigação, eram <span style="text-decoration:underline;">regra</span>.</p>
<p>Martino ficava fascinado com aquela chuva, ela não cessava! Desde que começou a caminhar, a chuva não deu trégua. Sequer diminuía sua intensidade. Descia com força sobre o solo morto e sem flores, criando alguns lamaçais ao longe.</p>
<p>Uma hora ou outra, trovões rugiam à sua direita.</p>
<p>Em um abrigo fornecido por uma enorme pedra tombada sobre outra, Martino parou um pouco.</p>
<p>Sentou-se no chão e apoiou-se na pedra, ficando em um lugar onde não chovia.</p>
<p>Respirou fundo.</p>
<p>O barulho da chuva era reconfortante. Trazia memórias de sua casa. Sua tão amada casa. Não aquela com teto e cômodos, mas sim a sua terra natal.</p>
<p>Sentia falta de sua terra natal. Lembrava da infância, dos amigos com quem cresceu. Das brincadeiras, das conversas, das caminhadas noturnas, do canto das cigarras, da sensação ímpar de apenas&#8230; estar lá.</p>
<p>Guardou aquele pensamento.</p>
<p>Pegou o bornal que&#8230; bem&#8230; ‘Martino’ havia lhe dado, e o abriu.</p>
<p>Procurou sem olhar pela caixa. Achou.</p>
<p>Achou, mas havia também outras coisas ali.</p>
<p>Surpreso, foi tirando um a um os objetos que estavam ali dentro.</p>
<p>Um isqueiro, papéis, uma pequena cruz de madeira em um cordão fino. Coisas simples.</p>
<p>Colocou o cordão no pescoço e guardou a cruz dentro da camiseta.</p>
<p>Acendeu o isqueiro. Cerrou os olhos por ter se acostumado à escuridão, mas logo pôde ver o lugar onde estava. Em um canto, viu pedaços de madeira secos e os acendeu: fez uma fogueira.</p>
<p>Ficou próximo dela, se aqueceu. O fogo consumia a lenha, deixando-a em brasa. O fogo era lindo. As chamas dançavam lentamente à sua frente. Mudavam sua tonalidade, indo do vermelho ao amarelo, passando por todas as cores possíveis entre esses dois.</p>
<p>Algumas faíscas saltavam vivas da fogueira e, incandescentes, pintavam o ar em um magnífico e discreto espetáculo, até que, no meio do caminho, começavam a se apagar, e então morriam.</p>
<p>Lá fora, a chuva continuava a cair. O barulho da chuva era como música.</p>
<p>Nesse meio tempo, sozinho, Martino caiu em um mar de pensamentos, e quase se afogou.</p>
<p>Olhou para o fogo. Sentia o poder do fogo, imponente. Pensou mais um pouco, imaginou mais um tanto, criou com a mente.</p>
<p>No fogo, suas imagens foram ganhando vida. As chamas tomavam forma e encenavam tudo o que ele pensava. Durante uma hora, Martino assistiu, sorrindo. Toda a sua história ganhou vida em um dos quatro elementos.</p>
<p>Não houve dúvida de que Martino ia fazer uma das coisas que mais ama. Ele ia escrever. Ia registrar o que vira ali no fogo.</p>
<p>Tomou a caneta e pegou um punhado de papéis.</p>
<p>Sentado, rodeado por chuva forte, em meio à noite, e iluminado por uma fogueira cheia de espetáculos discretos, fortes, imponentes e apaixonantes, Martino tocou a ponta da caneta no papel, e a mágica de criar histórias começou.</p>
<p>Autor: Rafael Mendes da Silva</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/rafirus.wordpress.com/170/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/rafirus.wordpress.com/170/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/rafirus.wordpress.com/170/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/rafirus.wordpress.com/170/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/rafirus.wordpress.com/170/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/rafirus.wordpress.com/170/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/rafirus.wordpress.com/170/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/rafirus.wordpress.com/170/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/rafirus.wordpress.com/170/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/rafirus.wordpress.com/170/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/rafirus.wordpress.com/170/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/rafirus.wordpress.com/170/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/rafirus.wordpress.com/170/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/rafirus.wordpress.com/170/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rafirus.wordpress.com&amp;blog=8615672&amp;post=170&amp;subd=rafirus&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Escreva seu Próprio Destino [Martino]</title>
		<link>http://rafirus.wordpress.com/2011/01/17/escreva-seu-proprio-destino-martino/</link>
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		<pubDate>Mon, 17 Jan 2011 16:04:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rafirus</dc:creator>
				<category><![CDATA[Martino]]></category>
		<category><![CDATA[chuva]]></category>
		<category><![CDATA[destino]]></category>
		<category><![CDATA[escreva]]></category>
		<category><![CDATA[escuridão]]></category>
		<category><![CDATA[próprio]]></category>
		<category><![CDATA[seu]]></category>
		<category><![CDATA[Travessia]]></category>

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		<description><![CDATA[Voltou rapidamente ao armário e trouxe uma espécie de bornal para que Martino pudesse guardar e levar seus objetos, como a caixa que carregava nas mãos. - Agora você está pronto. Venha comigo até a porta. Você verá o que é A Travessia. ~ Martino caminhou até a porta. Vestiu o manto. Este o cobria completamente, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rafirus.wordpress.com&amp;blog=8615672&amp;post=164&amp;subd=rafirus&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size:small;"><a href="http://rafirus.files.wordpress.com/2011/01/raining.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-165" title="raining" src="http://rafirus.files.wordpress.com/2011/01/raining.jpg?w=300&#038;h=289" alt="" width="300" height="289" /></a></span></p>
<p><em>Voltou rapidamente ao armário e trouxe uma espécie de bornal para que Martino pudesse guardar e levar seus objetos, como a caixa que carregava nas mãos.</em></p>
<p><em>- Agora você está pronto. </em><em>Venha</em><em> comigo até a porta. Você verá o que é A Travessia.</em></p>
<p><strong><em><span style="font-size:small;"><span style="color:#333300;">~</span></span></em></strong></p>
<p><span style="font-size:small;"><strong><span style="color:#333300;">Martino</span> </strong>caminhou até a porta. Vestiu o manto. Este o cobria completamente, era enorme. Guardou seus objetos no bornal, e olhou para o senhor, ao que ele disse:</span></p>
<p><span style="font-size:small;">- Bem, acho que você já pode ir. Pegue a chave de prata que você recebeu. Ela é, como eu presumo que você já saiba, a Chave Mestra.</span> </p>
<p><span style="font-size:small;">Martino pegou a chave de prata.</span></p>
<p><span style="font-size:small;">- Coloque-a no trinco, mas ainda não gire.</span></p>
<p><span style="font-size:small;">Martino o fez. Sentia-se, de certa forma, meio perdido; sentia-se um novato, sem experiência alguma naquilo.</span></p>
<p><span style="font-size:small;">- Confesso que não sei ao certo o propósito de toda essa caminhada. Ainda é algo desconhecido para mim. &#8211; Martino disse, olhando para o senhor e depois para baixo.</span></p>
<p><span style="font-size:small;">- Isso é algo que nenhum de nós sabe. É algo que saberemos apenas ao final dessa caminhada. E até lá, devemos caminhar com firmeza, não deixando que ninguém escreva nosso destino por nós. Quem deve escrever seu destino é você mesmo.</span></p>
<p><span style="font-size:small;">Martino compreendeu.</span></p>
<p><span style="font-size:small;">- Pois então vamos continuar com isso! &#8211; Disse o senhor, sorrindo. &#8211; Quando você girar, terá 14 segundos para passar, pois a porta se fechará sozinha. Uma vez lá fora, você não poderá abrir a porta novamente. Pelo menos não agora. Tome cuidado com o que achar ou enfrentar lá fora, Martino. O mundo é amplo, belo e cheio de maravilhas, mas cuidado com as pessoas que não sabem viver e vivem em constante erro consigo mesmo e com os outros. Cuidado para não tropeçar, mas se o fizer, levante-se mais forte para que pedra nenhuma o derrube. Respire o ar puro e agradeça por ele. Aproveite cada gota de água que consumir e agradeça por cada alimento que chegar ao seu prato. Você já sabe disso, mas o importante é lembrar sempre. Cuide dos três aí dentro, e tudo ao seu redor se amansará, para que você progrida em seu caminho com firmeza e segurança.</span></p>
<p><span style="font-size:small;">Um sorriso não pôde deixar de aparecer no rosto de Martino. Um sorriso enorme, verdadeiro.</span></p>
<p><span style="font-size:small;">- Que palavras bonitas. Muito obrigado por tudo isso. Vou me lembrar de suas palavras e de você. &#8211; Martino concluiu, estendendo a mão para o senhor.</span></p>
<p><span style="font-size:small;">Eles se cumprimentaram, e o senhor olhou para a chave, como que falando para Martino abrir a porta.</span></p>
<p><span style="font-size:small;">Martino respirou fundo. Mesmo assim, não podia conter sua curiosidade e sua ansiedade; <strong>o medo</strong>. Medo do desconhecido, do novo, daquilo que se coloca à sua frente. </span></p>
<p><span style="font-size:small;">&#8220;Non abbiate paura!&#8221; (Não tenhas medo!) Foram as palavras que ecoaram em sua mente na voz de Karol Wojtyla, impulsionando-o a girar a chave no trinco.</span></p>
<p><span style="font-size:small;">&#8220;Clic&#8221; Mais uma vez algo se abriu.</span></p>
<p><span style="font-size:small;">Medo era o mínimo que alguém sentiria se visse o que se apresentava aos olhos castanhos de Martino. </span></p>
<p><span style="font-size:small;">Contrastando com a forte luz do corredor, um breu absoluto e chuva forte, torrencial. Martino não via nada além dos pingos de chuva na noite.</span></p>
<p><span style="font-size:small;">O barulho da tempestade era altíssimo, e o vento forte fazia os cabelos dos dois dançarem loucamente em suas cabeças. O manto que Martino estava vestindo, porem, sequer se mexeu.</span></p>
<p><span style="font-size:small;">Gotas enormes de chuva entraram, molhando o piso, mas o manto de seda permaneceu seco.</span></p>
<p><span style="font-size:small;">- Vá, agora! - Gritou o senhor em meio ao barulho da tempestade. &#8211; O manto te protegerá da chuva e do vento; você saberá lidar com o que enfrentar, você só deve acreditar!</span></p>
<p><span style="font-size:small;">Ir e enfrentar o desconhecido agora, ou ficar?</span></p>
<p><span style="font-size:small;">Dentro dele, sentiu alguém o encorajando. Decidido, pegou a chave da porta, e foi. Pisou para fora do corredor, entrando na tempestade; entrando no breu total.</span></p>
<p><span style="font-size:small;">A porta já estava na metade do caminho.</span></p>
<p><span style="font-size:small;">- Adeus, Martino! Cuide dos três, tenha fé! Eu acredito em você!</span></p>
<p><span style="font-size:small;">- Adeus! Muito obrigado por tudo! &#8211; respondeu Martino.</span></p>
<p><span style="font-size:small;">Antes da porta fechar, Martino lembrou e perguntou:</span></p>
<p><span style="font-size:small;">- Ah! Qual é o seu nome?</span></p>
<p><span style="font-size:small;">A resposta do senhor foi constituida por quatro palavras e um sorriso:</span></p>
<p><span style="font-size:small;">- Meu nome é Martino.</span></p>
<p><span style="font-size:small;">A porta se fechou.</span></p>
<p><span style="font-size:small;"> </span></p>
<p><span style="font-size:small;">Autor: Rafael Mendes da Silva</span></p>
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		<title>A Travessia [Martino]</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Jan 2011 18:51:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rafirus</dc:creator>
				<category><![CDATA[Martino]]></category>
		<category><![CDATA[Começo]]></category>
		<category><![CDATA[Fim]]></category>
		<category><![CDATA[Senhor]]></category>
		<category><![CDATA[Travessia]]></category>

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		<description><![CDATA[Havia um trinco de ouro que mantinha a caixa fechada. Era um trinco diferente, com quatro pontas que saltavam de uma flor. Não sabia abrir aquilo. Resolveu pressionar as quatro pontas. “Clic”, a caixa abriu para mostrar o quê havia em seu interior.  - Intrigante. Não havia algo mais intrigante do que abrir a caixa [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rafirus.wordpress.com&amp;blog=8615672&amp;post=161&amp;subd=rafirus&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Havia um trinco de ouro que mantinha a caixa fechada. Era um trinco diferente, com quatro pontas que saltavam de uma flor. Não sabia abrir aquilo. Resolveu pressionar as quatro pontas.</em></p>
<p><em>“Clic”, a caixa abriu para mostrar o quê havia em seu interior.</em></p>
<p> -</p>
<h3><span style="color:#808080;"><em>Intrigante.</em></span></h3>
<p>Não havia algo mais intrigante do que abrir a caixa e encontrar uma chave de prata sobre um punhado de areia branca.</p>
<p>A chave estava tão polida que podia ver seu reflexo nela. Era uma chave de estilo antigo, e provavelmente foi feita à mão por algum chaveiro muito talentoso.</p>
<p>Pegou a chave: estava gelada. Observou-a por alguns instantes, estudou sua anatomia e procurou por alguma inscrição em seu corpo, mas não encontrou nada. Guardou-a cuidadosamente no bolso direito da calça.</p>
<p>Olhou o punhado de areia na caixa e remexeu-o, procurando por algo ali dentro. E não é que teve sorte?</p>
<p>Um objeto solto ali, sob a areia, tocou seus dedos e logo foi puxado para fora de seu refúgio arenoso. Martino olhou e sequer piscou enquanto olhava o que segurava. Observou longamente aquele objeto tão delicado e tão suave, oriundo da natureza.</p>
<p>Carinhosa e cuidadosamente colocou o objeto de volta na caixa, e a fechou. Nesse instante, um outro &#8220;clic&#8221; soou, dessa vez vindo de baixo da caixa.</p>
<p>Ao procurar, encontrou um compartimento que foi aberto com o fechamento da caixa. Puxou o que havia ali. Nenhuma surpresa: outro bilhete.</p>
<p>Em um lado do bilhete, escrito à mão por uma caneta preta, lia-se: <em>Chave Mestra. </em></p>
<p>Do outro lado, lia-se: <em>Sus sentimientos; Your feelings; I tuoi sentimenti</em></p>
<p>Entendeu o recado.</p>
<p>&#8220;Chave Mestra&#8221;, obviamente, se referia à chave de prata.</p>
<p>Já as inscrições no verso, que significavam &#8220;Seus sentimentos&#8221; referiam-se ao objeto que guardara novamente na caixa.</p>
<p>A passos lentos, sempre à frente, viajou em pensamentos, agarrou conclusões, beijou lembranças e tomou desejos como metas.</p>
<p>Constantes lembranças e, principalmente, sentimentos diversos, tomavam conta de seu caminho naquele curioso trecho da caminhada.</p>
<p>As paredes ainda brilhavam, e ainda continham frases luminosas.</p>
<p>Mas&#8230; o que era aquilo, logo ao fim do túnel?</p>
<p>Martino sorriu mesmo sem saber o que era, do que se tratava, ou quem estava ali. E por quê? Oras, não é ótimo quando algo novo aparece em nossas vidas? É a maravilhosa sensação de desbravar o desconhecido e dar o melhor de si para sair vitorioso das situações.</p>
<p>Foi se aproximando.</p>
<p>O que havia encontrado era, finalmente e com certeza, o fim do túnel. O túnel por onde caminhou durante longo tempo, brilhante como sempre, aconchegante, seguro; o túnel que dava a sensação de fortaleza inatingível – algo que era.</p>
<p>À sua direita havia uma espécie de guichê de estações de trem, mas muito pequena, com espaço para apenas um atendente, que ali estava.</p>
<p>O guichê era todo feito do mesmo mármore do túnel, que, agora, se encontrava em uma cor bege/dourada brilhante.</p>
<p>O atendente, do outro lado do balcão, sorria com cara de boas-vindas. Aparentava 64 anos. Tinha os cabelos lisos e meio ondulados em uma cor que lembrava ouro branco. Tinha um bigode da mesma cor, muito bem feito, o que dava a ele uma cara de senhor respeitável, pacífico e de bem. O rosto tinha algumas rugas que foram chegando com o passar dos anos, e ali se instalando. Apesar disso, sua pele era suave como a de uma criança. Seus olhos eram da mesma cor dos seus: castanhos. Mas a claríssima luz que emanava do mármore fazia com que os olhos parecessem ter luz própria: eles brilhavam. Usava vestes que lembravam a de um maquinista: um quepe azul-marinho de aba preta, com um bordado de uma Lua e de um pássaro branco brilhante de asas abertas; um paletó de mesma cor e uma gravata preta. Toda a roupa era feita de um material nobríssimo e se encontrava em estado impecável, parecia brilhar.</p>
<p>- Olá, Martino, como vão os três aí dentro?</p>
<p>- A mente, o coração e a alma?</p>
<p>O senhor acenou com a cabeça, afirmando e ainda sorrindo.</p>
<p>- Vão bem, muito bem. – Martino sorriu ao responder isso.</p>
<p>- Ótimo! Pois eles têm que estar bem para A Travessia. – Nesse momento, o senhor apontou para a porta fechada que havia no final do túnel e, em seguida, para o que havia escrito no topo da porta. Em grandes letras talhadas no mármore, lia-se: “A TRAVESSIA”</p>
<p>- Travessia? Que travessia?</p>
<p>- Bem, você passou pelo túnel, encontrou algumas pessoas, viu, sentiu e ouviu. Em algumas horas o caminho foi árduo, em outras foi confortante. Mesmo sem saber, cada experiência pela qual as pessoas passam, traz algo a acrescentar para elas. Além disso, eu tenho conhecimento de todo o caminho que você trilhou mesmo antes de entrar neste extenso túnel. Toda a caminhada que você fez até aqui, cada passo, cada pensamento, cada vez que seu coração bateu&#8230; Tudo isso contribuiu para que você pudesse chegar preparado física e mentalmente para A Travessia. Seria, de uma forma bastante resumida, isso.</p>
<p>Martino acenou com a cabeça, mostrando que compreendeu.</p>
<p>- Como é a travessia? E quanto tempo ela dura? Ah, e até onde ela leva? – Martino se mostrava realmente curioso sobre tudo aquilo.</p>
<p>- Quem responderá às duas últimas perguntas é você mesmo, pois a duração e o destino dependem de você e do que você carrega no coração e na alma. Já a resposta da primeira pergunta eu posso te dar agora, mas eu prefiro que você veja e sinta por si mesmo.</p>
<p>O senhor abriu um armário de madeira que estava atrás dele. Lá de dentro, puxou um enorme manto de seda dourada e, passando por uma porta, saiu de trás do balcão e foi ao encontro de Martino.</p>
<p>Nesse instante, Martino percebeu que a presença do senhor inspirava confiança, força. Espelhou-se nele e guardou aquela imagem na memória.</p>
<p>- Aqui está. – Disse o senhor, entregando o manto dourado nas mãos de Martino. – Você vai usar isso durante a travessia.</p>
<p>Antes que Martino pudesse fazer qualquer pergunta, o senhor exasperou: &#8211; Ah! Quase me esqueço de uma coisa!</p>
<p>Voltou rapidamente ao armário e trouxe uma espécie de bornal para que Martino pudesse guardar e levar seus objetos, como a caixa que carregava nas mãos.</p>
<p>- Agora você está pronto. Venha comigo até a porta. Você verá o que é A Travessia.</p>
<p>Autor: Rafael Mendes da Silva</p>
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